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Sexta-feira
17 de novembro de 2017
18 de agosto de 2017 - 15:0 PF diz que fez 2 fases da Lava Jato no mesmo dia para "otimizar recursos"
PF diz que fez 2 fases da Lava Jato no mesmo dia para "otimizar recursos"

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'Temos que fazer mais com menos', disse o delegado Igor Romário de Paula. Ainda assim, ele negou que tenha havido 'restrições orçamentárias' para a Lava Jato.

O delegado da Polícia Federal (PF) Igor Romário de Paula afirmou que foram feitas duas novas fases da Lava Jato nesta sexta-feira (18) para "otimizar recursos, que não estão sobrando". Segundo ele, as duas etapas - 43ª e 44ª - poderiam ter ocorrido em dias diferentes, mas a PF optou por usar os mesmos agentes. Numa das ações, foi preso o ex-deputado Cândido Vaccarezza, suspeito de receber US$ 438 mil em propina (veja mais informações abaixo).

"Quando falo em otimização dos recursos, não é porque eles faltaram. Não houve ordem para limitar recursos ou faltou recurso, e a gente foi obrigado a fazer ao mesmo tempo. Nós estamos trabalhando numa perspectiva de que os recursos para o ministério da Justiça, assim como para todos os ministérios, estão escassos... Usando um jargão antigo, <é preciso> fazer mais com menos", disse o delegado, ao detalhar as ações em entrevista em Curitiba.

O delegado negou houve "uma restrição orçamentária". Segundo ele, havia dinheiro para as duas fases, mas, como as investigações evoluíram de modo semelhante, foi uma opção usar o mesmo efetivo para cumprir os mandados judiciais e "transformar tudo uma viagem só".

"Operacionalmente, é mais fácil tratar as operações juntas", disse o delegado Filipe Pace. Ele citou ainda que um pen drive encontrado com Othon Luiz Pinheiro da Silva, ex-presidente da Eletrobras, forneceu provas para as duas operações.

Principais pontos das investigações
Ações apuram o favorecimento de empresas estrangeiras em contratos com Petrobras.

Operação Abate investiga fraudes no fornecimento de asfalto para a Petrobras por uma empresa norte-americana, entre 2010 e 2013.
Funcionários da Petrobras, o PT e, principalmente, Cândido Vaccarezza teriam recebido propinas que somam US$ 500 mil no esquema da Abate.
Operação Sem Fronteiras investiga o pagamento de propinas para contratação de armadores (transportadores marítimos) da Grécia, entre 2009 e 2013.

Ao menos 3% dos contratos com as empresas gregas, que superaram US$ 500 milhões, seriam propina para políticos, funcionários da estatal e operadores financeiros.
As investigações surgiram da delação do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.

Alvos das operações
As duas fases resultaram na prisão de três pessoas nesta sexta: Cândido Vaccarezza, ex-deputado, Márcio Albuquerque Aché Cordeiro, ex-gerente da Petrobras, e Henry Hoyer de Carvalho, operador financeiro.

Dois alvos estão no exterior: Luiz Eduardo Loureiro Andrade, da Seargent Marine, e Dalmo Monteiro Silva, ex-gerente da Petrobras. Eles não são considerados foragidos.

A PF pediu ainda a prisão de outro ex-gerente da Petrobras, Carlos Roberto Martins Barbosa, mas ele está hospitalizado, e o mandado não será cumprido.

Em nota, o PT diz que não informações sobre o processo e que espera que Cândido Vaccarezza tenha a oportunidade de esclarecer a acusação. O G1 tenta contato com a defesa dos investigados.

US$ 438 mil para Vaccarezza
Uma das ações desta sexta-feira, chamada de Abate, resultou na prisão do ex-deputado Cândido Vaccarezza, ex-líder dos governos Lula e Dilma na Câmara (veja o perfil completo dele mais abaixo). Ele é suspeito de receber ao menos US$ 438 mil por contrato na Petrobras até 2011. Investigadores da PF dizem que o ex-deputado favoreceu a contratação da empresa norte-americana Sargeant Marine, que forneceu asfalto para a estatal entre 2010 e 2013.

Conforme o juiz federal Sérgio Moro - responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância -, há suspeita de que Cândido Vaccarezza foi beneficiário em mais de um episódio do pagamento de vantagem indevida decorrente de acertos de corrpção em contratos da Petrobras.

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, hoje delator, também teria sido beneficiado pelo esquema. Segundo a PF, Costa recebeu ao menos US$ 162 mil por cinco contratos. O PT teria sido outro beneficiário da propina.

A PF chegou a pedir a prisão preventiva (sem prazo para liberação) do ex-deputado, por haver provas e por conta de outras delações, que dizem que ele teria praticado crimes não apenas no âmbito da Petrobras. Mas o juiz Sérgio Moro autorizou a prisão temporária.

O delegado Filipe Hille Pace disse que Vaccarezza se mostrou "bastante surpreendido e bastante assustado" no momento da prisão. Segundo Pace, há indícios de que o ex-deputado usou parte do dinheiro da propina para pagar contas do seu atual partido, o PTdoB, que recentemente mudou de nome para Avante.

Pace afirmou ainda que agentes encontraram R$ 122 mil na casa de Vaccarezza. Ele estaria pagando com esse dinheiro despesas de seu novo partido.

Em nota, o Avante afirmou que desconhece o processo e aguarda esclarecimentos para posterior manifestação.

'Loteamento político'
O delegado Filipe Pace afirmou que Vaccarezza era pressionado para retirar, da Petrobras, funcionários não ligados ao PT, o que indica que havia "loteamento político" na estatal.

Paulo Roberto Galvão de Carvalho, procurador da República, disse que as investigações confirmam que esse esquema não era um esquema de diretores e gerentes: "Trata-se de um esquema de corrupção partidária".

Perfil de Vaccarezza
Cândido Elpídio de Souza Vaccarezza, 61 anos, foi duas vezes deputado estadual em São Paulo e outras duas deputado federal. Nos quatro mandatos era filiado ao PT. Em Brasília, foi líder do governo dos ex-presidente Lula e da ex-presidente Dilma Rousseff. Ganhou fama de articulador hábil e ecumênico, com trânsito nas bancadas de partidos que tradicionalmente fazem oposição ao PT.

Vaccarezza ganhou espaço nas articulações do PT em Brasília a partir do vácuo provocado derrocada do ex-ministro José Dirceu, com o escândalo do mensalão, em 2005.

Apesar da carreira política construída em São Paulo, Vaccarezza nasceu na Bahia, onde iniciou a militância política no movimento estudantil. Participou da União Nacional dos Estudantes (UNE) e concluiu o curso de medicina na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atuou nos primórdios do PT em seu estado e migrou para São Paulo, na década de 1980, para fazer a residência médica. A partir dos anos 2000, conquistou seus mandatos eletivos.

Ex-secretário da Cultura Esportes e Lazer da cidade de Mauá (SP), chegou à Assembleia Legislativa como suplente. Em 2001, assumiu cadeira na Casa em razão de parlamentares petistas que ocuparam secretarias na gestão de Marta Suplicy na prefeitura de São Paulo. Em 2002, Vaccarezza ganhou a vaga de titular nas urnas. Em 2006 e 2010, elegeu-se deputado federal. Tentou um terceiro mandato em 2014, mas não conseguiu a nova reeleição.

O fracasso nas urnas acelerou o distanciamento de Vaccarezza do PT e ampliou as críticas dirigidas pelo político ao governo de Dilma Rousseff. Ele deixou o partido em 2016, após 35 anos de militância. Na oportunidade, anunciou apoio ao candidato do PRB à prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno.

Disposto a reconquistar o mandato, Vaccarezza filiou-se ao PTdoB e assumiu o diretório estadual da legenda, que recentemente mudou de nome para Avante.

Outras suspeitas contra Vaccarezza

07 de março de 2015
STF divulga lista e autoriza investigação contra 47 deputados mencionados em delações premiadas na Operação Lava Jato. O nome de Cândido Vaccarezza aparece pela primeira vez como suspeito por desvio de recursos da Petrobras.

17 de junho de 2015
Vaccarezza foi à Polícia Federal depor sobre acusações de que teria recebido propina quando atuava na Petrobras. Na ocasião, o petista afirmou que as acusações contra ele eram inconsistentes.

03 de setembro de 2015
Polícia Federal conclui investigações contra Vaccarezza e afirma que haviam indícios de que Alberto Youssef, ex-doleiro do PP, pagou propina ao ex-deputado petista durante campanha eleitoral de 2010.

12 de janeiro de 2016
Em sua delação premiada, o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró relata que foi indicado à diretoria financeira da BR Distribuidora por gratidão do PT com ele, após reunião com Vaccarezza e outros políticos.

15 de março de 2016
TRE-SP rejeita contas da campanha eleitoral de 2014 de Cândido Vaccarezza. Segundo o tribunal, o petista deixou de informar despesas realizadas que foram encontradas pela Justiça Eleitoral.

15 de junho de 2016
Delator da Lava Jato, o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado afirmou aos investigadores que Vaccarezza recebeu R$ 500 mil de propina desviada da Petrobras.


12 de abril de 2017
Relator da Lava Jato no STF, o ministro Edson Facchin pede abertura de inquérito contra Cândido Vaccarezza e mais 38 deputados. A suspeita é de que o ex-deputado do PT tenha pedido propina à Odebrecht em troca da aprovação de um investimento pela Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil.

Operação Sem Fronteiras
A outra operação deflagrada nesta sexta, chamada de Sem Fronteiras, tem como foco irregularidades envolvendo executivos da Petrobras e grupo de armadores estrangeiros, que obtiveram informações privilegiadas para fechar contratos milionários com a empresa brasileira.

Segundo as investigações, Paulo Roberto Costa ajustou com o cônsul honorário da Grécia no Brasil, Konstantinos Kotronakis, um esquema de facilitação de contratação de navios gregos. O operador Henry Hoyer de Carvalho, que foi alvo da 13ª fase da Lava Jato, teria efetivado o esquema entre 2008 e 2010. Depois, quem assumiu o comando foi uma empresa de brokeragem constituída na Inglaterra e pertencente a Georgios Kotronakis, filho de Konstantinos.

O MPF afirma que os grupos Tsakos e Aegean, dos quais Konstantinos Kotronakis é, respectivamente, diretor e sócio-administrador, além das empresas Dynacom Tankers Management, Galbraiths e Dorian Hellas, com as quais o cônsul grego tinha vínculos indiretos, formalizaram contratos de afretamento com a Petrobras, entre os anos de 2009 a 2013, em valores que superam US$ 500 milhões.

De acordo com as investigações, ao menos 3% desses valores era destinado ao pagamento de propina a funcionários públicos, operadores financeiros e políticos. Costa já tinha afirmado ao MPF que recebeu US$ 530 mil em propina de Konstantinos Kotronakis.

Somente em relação aos navios, a PF disse que os contratos totalizaram mais de US$700 milhões. "Nós não temos o rastreamento de todo o dinheiro da propina, mas somente o Paulo Roberto Costa teria recebido cerca de US$ 1 milhão nesse esquema", disse o delegado Felipe Pace.

A força-tarefa da Lava Jato chegou a pedir a prisão do cônsul honorário da Grécia, mas o juiz Sérgio Moro indeferiu.

A defesa Konstantinos e Georgios Kotronakis disse que os clientes têm total interesse em esclarecer os fatos e contribuir com o trabalho da Justiça.

Paulo Roberto Galvão de Carvalho, procurador da República, afirmou que um pen drive encontrado na casa de Othon Luiz Pinheiro, ex-presidente da Eletrobras, na 16ª fase da Lava Jato, foi fundamental para essa etapa da Lava Jato.

Segundo ele, diversas anotações comprovaram afirmações feitas por delatores e confirmaram que houve pagamentos para partidos políticos, como o PT e o PP. "Todos os fatos têm esse viés de ter havido base de sustentação governamental que tomou a empresa pública e se deu o direito de receber propinas", disse Carvalho.

"Tem muita coisa para ser investigada ainda. Além dos fatos novos que ainda estão surgindo, há uma série de fatos que surgiram em fases anteriores da investigação, mas que demandam um trabalho árduo que tem sido feito pela PF e pelo MPF. Podemos esperar muita coisa ainda, que virá de outras fases da Lava Jato", afirmou o procurador.




Fonte: Portal G1
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