25 de Novembro de 2008 - 8:40
Itajaí decreta estado de calamidade pública
Número de mortos chega a 65 Dobra o número de desabrigados e desalojados
Município amanheceu ontem com 85% do território coberto pelas águas e gravidade da situação leva prefeito Volnei Morastoni a decretar estado de calamidade pública
SICILIA VECHI
Itajaí - A situação de desolação vivida ontem em Itajaí, que amanheceu com 85% do território inundado, propagou-se ao longo do dia e avançou em pedidos de socorro que adentraram a noite. A chuva forte de domingo parou, mas a cidade portuária da Foz do Rio Itajaí-Açu tinha na segunda-feira de manhã 28 mil pessoas ilhadas em casas e telhados ou fora de suas residências. Todos os bairros foram atingidos e a falta de água, telefone e energia elétrica afetou cerca de 130 mil moradores, segundo a Defesa Civil do município. Ontem à noite, 9 mil pessoas estavam alojadas nos 30 abrigos instalados em caráter emergencial.
Até ontem à noite, todos os acessos à cidade ainda estavam interrompidos, inclusive no sentido Norte-Sul da BR-101, no km-113, na cabeceira da Ponte de Navegantes. O Ferry Boat, que faz a travessia Itajaí-Navegantes, permanece inoperante por causa da correnteza. Em bairros próximos dos rios Itajaí-Açu e Itajaí-Mirim, a água atingiu 2,5 metros acima do leito e encobriu comunidades inteiras.
Quem tentou chegar ao trabalho pela manhã, no Centro da cidade, encontrou apenas um espelho dágua a perder de vista sobre as principais avenidas. Na Rua Hercílio Luz, principal ponto de comércio da cidade, lojistas com água acima dos joelhos ergueram o que podiam e voltaram a fechar as portas, assim como em toda a cidade. A Universidade do Vale do Itajaí também suspendeu as aulas, a exemplo de todas
Trabalhos de remoção da terra na SC-401 começaram nesta segunda-feira. Foto:Ricardo Duarte
as escolas, públicas e particulares. A cidade parou para socorrer os moradores, enquanto, do alto das lajes, vítimas da enchente pediam alimento, água e socorro, pelo telefone das rádios locais.
O caos culminou, no final da tarde, com o decreto do estado de calamidade pública, assinado pelo prefeito Volnei Morastoni e endossado pelo governador Luiz Henrique da Silveira, que veio a Itajaí conferir o flagelo das cheias. A reunião dos líderes políticos com os bombeiros e a Defesa Civil traçou também um plano de distribuição de alimentos para a noite de ontem e a madrugada de hoje, em Itajaí.
De acordo com José Roberto Severino, coordenador de doações e acolhimento de desabrigados na Defesa Civil de Itajaí, faltam comida, cobertores, colchões, produtos de higiene, fraldas, leite e principalmente água, em garrafas pequenas ou galões de 20 litros.
A água potável também acabou nos hospitais Marieta Konder Bornhausen e Infantil Pequeno Anjo. Caminhões e jipes passaram o dia de ontem levando materiais às unidades de saúde, mas a solidariedade foi insuficiente para conter as carências da população. Segundo Severino, o governo federal comprometeu-se em enviar 12 mil kits de alimentação, através de aviões da Força Aérea Brasileira, que devem chegar hoje ao Estado.
- Não temos nada na história de Itajaí parecido com isso. Somaram-se a chuva, um fenômeno de ventos conhecido como "Lestada" e a maré alta. Não tivemos isto nem em 1983, nem em 2001, as duas maiores enchentes - avaliou Severino.
De acordo com o monitoramento do Rio Itajaí-Açu no Vale, a Defesa Civil de Itajaí prevê que as águas se esgotem completamente apenas por volta das 12h de hoje.
Fonte: Jornal de Santa Catarina