Ex-chefe do tráfico da Mangueira teria mudado de facção e quer retomar o morro
A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga um suposto acordo feito na cadeia entre traficantes que pode resultar em uma invasão a um dos principais e mais conhecidos morros da cidade: o da Mangueira, na zona norte. Há um mês, o boato de ataque circula pela favela que está cotada para receber, ainda neste ano, uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora).
Segundo a polícia, na noite de 22 de junho, os traficantes da Mangueira decretaram um toque de recolher porque tinham informações de que a favela seria invadida por rivais do morro dos Macacos, em Vila Isabel, também na zona norte. Todos os moradores que estavam nas ruas foram orientados a voltar para casa e a comunidade recebeu reforços de traficantes de outros locais, principalmente do complexo do Alemão. O ataque não se confirmou, mas o boato persiste até hoje. A tensão é tanta que foram colocadas barricadas em vários acessos à favela.
De acordo com um policial, cuja identidade é preservada pelo R7 por motivos de segurança, o possível ataque foi tramado pelo traficante Tuchinha que, durante anos, comandou a favela. Preso desde 2008, ele perdeu o controle do local após o traficante Polegar sair da cadeia em 2009. Antigos aliados, os dois se tornaram inimigos.
Ainda segundo o agente, Tuchinha teria firmado um acordo na cadeia com o traficante Abelha, que comandava o morro do Turano, na zona norte, mas também perdeu tudo. Sem os seus redutos, as informações são que os dois decidiram mudar de facção criminosa e se aliaram à organização que controla a favela da Rocinha, na zona sul, e o morro dos Macacos.
A ida dos dois para outra facção foi facilitada pelo fato de Abelha ter boas relações na Rocinha, já que seus dois irmãos - Saulo e Fabiano - trabalham para o tráfico daquela localidade. A invasão da Mangueira, um dos morros mais lucrativos para o tráfico carioca, seria um dos objetivos desta aliança.
Assim como a Mangueira, no Turano também houve um boato de invasão no final de março
Tuchinha, atualmente, está isolado no presídio Bangu 2, na zona oeste do Rio. O local é destinado para presos que estão ameaçados de morte. Há cerca de dez dias, ele chegou a ser questionado por agentes do Sistema Penitenciário sobre a mudança de facção, mas não confirmou. Para a polícia, isso seria uma estratégia para despistar os investigadores.
Na Mangueira, estima o policial, o tráfico de drogas pode faturar até R$ 10 milhões mensais. Principalmente com a proximidade do Carnaval, quando é grande o movimento de pessoas que circulam pelo local em razão dos ensaios da escola de samba.
O policial confirma que o atual chefe do morro da Mangueira, Polegar, está escondido no complexo de favelas do Alemão, onde estão reunidos todos os grandes líderes da facção criminosa que ele integra.
Fonte: R7.com