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19 de março de 2019
11 de dezembro de 2018 - 9:34 Promotores detalham o passo a passo das investigações de abuso sexual contra João de Deus
Promotores detalham o passo a passo das investigações de abuso sexual contra João de Deus

Reprodução/Portal G1 Clique para ampliar a imagem

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Segundo o MP-GO, em 7 horas, 40 mulheres denunciaram ter sido vítimas do médium durante atendimentos em Abadiânia. João de Deus nega as acusações.

Os promotores de Justiça que integram a força-tarefa formada para investigar as denúncias de abusos sexuais que teriam sido cometidos pelo médium João de Deus afirmam que, no momento, o foco é colher os depoimentos das mulheres e dar suporte a elas. "É necessário a divulgação desta força-tarefa apra que as vítimas percam o temor, o sigilo desse depoimento será mantido, a vítima não será exposta e, se necessário, providenciamos segurança para elas", disse o promotor Luciano Miranda Meireles, que integra a operação.

As denúncias podem ser feitas pelo telefone do Ministério Público de Goiás - 3243-8000 - ou pelo e-mail criado exclusivamente para as denúncias: denuncias@mpgo.mp.br.

O advogado Alberto Toron, que defende o médium, afirmou que o cliente nega as acusações e que ele está à disposição da Justiça para esclarecimentos (veja íntegra do posicionamento da defesa no fim da reportagem).

O jornal "O Globo", a TV Globo e o G1 têm publicado nos últimos dias relatos de dezenas de mulheres que se sentiram abusadas sexualmente pelo médium. Não se trata de questionar os métodos de cura de João de Deus ou a fé de milhares de pessoas que o procuram.

Veja como se dará a força-tarefa:

Registrar as denúncias;

Agendar os depoimentos;

Reunir os depoimentos de Goiás com os de outros estados;

Embasar o procedimento investigatório criminal;

Intimar e interrogar João de Deus.

A força-tarefa foi iniciada na segunda-feira (10). O promotor Steve Gonçalves Vasconcelos, de Alexânia, está atuando em Abadiânia em substituição à titular da promotoria, Cristiane Marques, que está de férias, e ficará focado na investigação dos casos. Os demais integrantes da força-tarefa ficarão a cargo de colher depoimentos e entrar em contato com promotores de outros estados.

Compõem a força-tarefa:

Promotores:

Luciano Miranda Meireles - coordenador do Centro de Apoio Operacional (CAO) Criminal;

Paulo Eduardo Penna Prado - subcoordenador do CAO Criminal;

Patrícia Otoni Pereira - coordenadora do CAO dos Direitos Humanos;

Steve Gonçalves Vasconcelos - promotor substituto da promotoria de Abadiânia;

Gabriella de Queiroz Clementino - integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Psicólogas:

Liliane Domingos Martins

Lícia Nery Fonseca

Depoimentos agendados
Na segunda-feira, 40 mulheres entraram em contato com o MP-GO se identificando como vítimas de abusos sexuais cometidos pelo médium João de Deus. Segundo os promotores, 35 dos relatos foram feitos pelo e-mail e, os demais, por telefone. Os depoimentos delas devem ocorrer até o fim desta semana.

Os promotores informaram também que há depoimentos agendados para esta terça-feira (11) em São Paulo e Minas Gerais. A promotora Gabriela Manssur, de São Paulo, conta que, depois que as denúncias foram exibidas no programa Conversa com Bial, da TV Globo, já foi procurada por mais de 200 mulheres que também fazem relatos semelhantes.

Apesar da possibilidade de os depoimentos serem colhidos em outras cidades, a investigação ficará a cargo da promotoria de Justiça de Abadiânia, onde João de Deus realiza os atendimentos e os crimes teriam ocorrido. Conforme relatos colhidos até esta segunda-feira, os abusos sexuais teriam ocorrido desde a década de 80 até outubro do ano passado.

O MP-GO informou que já existiam denúncias contra João de Deus desde 2010. Em 2012, ele chegou a ser julgado por abuso sexual, mas foi inocentado por falta de provas. Meireles informou ainda que "há notícias de crimes de outra natureza", mas ainda não irá informar quais são enquanto não tiver algo concreto.

Os funcionários da Casa Dom Inácio de Loyola também podem ser investigados. "A gente tem que analisar se houve crime por parte dos funcionários, se algum tiver auxiliado de alguma forma, ele pode ser denunciado pelos mesmos crimes", disse.

Além do MP-GO, a Polícia Civil goiana também instaurou investigações, com o objetivo de identificar outras mulheres que afirmam ser vítimas do médium. "O que é preciso é que, além das denúncias que foram feitas, dos boletins de ocorrência, que a vítima também colabore durante os depoimentos, seja em outro estado, seja vindo a Goiás", afirmou a delegada Marcela Orçai, assessora de imprensa da corporação.

João de Deus nega acusações
O advogado Alberto Toron, que defende o médium, afirmou que o cliente nega as acusações e que ele está à disposição da Justiça para esclarecimentos.

"Muito enfaticamente ele nega. Ele recebe com indignação a existência dessas declarações, mas o que eu quero esclarecer, que me parece importante, é que ele tem um trabalho de mais de 40 anos naquela comunidade, atendendo a todos os brasileiros, gente de fora do país, sem nunca receber esse tipo de acusação", disse.

Além disso, o advogado esclareceu que o padrão de João de Deus era atender a todos em grupo. "Eventualmente atendeu alguma pessoa, alguma autoridade sozinho, isso é um episódio localizado. Mas pessoas, mulheres, crianças em geral, eram atendidas coletivamente diante de um grande número de pessoas", continuou.

Por fim, disse que o cliente vai colaborar com as investigações. "Amanhã mesmo nós vamos nos dirigir às autoridades judiciárias da cidade de Abadiânia para dizer que ele está à disposição da polícia, do juiz, do Ministério Público para ser ouvido em qualquer momento", disse.

"Achamos que tudo isso deve ser objeto de uma investigação marcada pela seriedade e nós esperamos que isso aconteça para que a verdade venha à tona", concluiu Toron.



Fonte: Portal G1
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